Eugène Delacroix - "A liberdade guiando o povo" - 1830






24 de abr de 2010

Ciro Gomes é aconselhado a se afastar do país a partir de terça


 

Notícia publicada no Diário Catarinense de hoje:

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Cúpula do PSB sugere autoexílio ao deputado, caso sua candidatura venha a ruir


 

A asfixia política exercida contra Ciro Gomes (PSB-CE) pelo governo Lula e pelo próprio partido não se encerra no sepultamento de sua candidatura à Presidência, prevista para ser oficializada na terça-feira. Para evitar que o deputado direcione sua revolta à campanha de Dilma Rousseff (PT) e às alianças da base governista nos Estados, ele está sendo convencido a se submeter a um autoexílio no Exterior.

– Se ele ficar no país, vai cair atirando. Por isso, foi orientado a viajar e depois se dedicar à campanha de Cid Gomes (irmão do deputado) à reeleição no Ceará – já dizia um integrante da cúpula do PSB antes de o deputado lançar ataques na sexta-feira.

Ciro está enfurecido. Deixou isso claro ao afirmar na madrugada de sexta-feira que o presidente Lula está "navegando na maionese" e "se sentindo o Todo-Poderoso", mas "ele não é Deus". Para arrematar, o deputado diz que acredita na vitória de José Serra (PSDB).

Boicotado por Lula e pelos correligionários, não atende ao telefone nem responde a e-mails, mesmo dos políticos mais próximos. Na segunda-feira, viajou a Brasília pela primeira vez nas últimas quatro semanas. Ainda assim, evitou ir à Câmara, onde seu desempenho como parlamentar é baixo – em quatro anos de mandato, não apresentou um único projeto de lei e faltou a 42% das sessões.

Ciro nunca escondeu sua aversão à letargia do processo legislativo. Ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro, tem apreço pelo Executivo. Tendo sido um dos políticos mais leais a Lula durante o escândalo do mensalão, o socialista julgava ter acumulado capital político que lhe permitiria voos maiores na eleição deste ano. A pedido do presidente, transferiu o título de eleitor do Ceará para São Paulo, Estado onde nasceu.

Nos planos de Lula, Ciro concorreria ao governo, garantindo palanque para Dilma e um arsenal de ataques a Serra, seu desafeto. A virulência verbal do deputado, planejou Lula, pouparia Dilma de um confronto com Serra num território dominado pelos tucanos. Ciro, contudo, pensava diferente.

– Ele só aceitou transferir o domicílio eleitoral porque achou que a aliança do PT com o PMDB iria fracassar e assim estaria credenciado a ser vice da Dilma – revela um interlocutor do socialista.

Com os avanços da parceria PT-PMDB, Ciro acabou embretado. Disparou contra os dois partidos, contra o governo e até mesmo contra o PSB, numa atitude que só ampliou seu isolamento. Ao escrever um artigo postado em seu blog pessoal, questionou a identidade do partido: "O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil?". Interessados em montar alianças para as campanhas ao Senado e aos governos estaduais, os socialistas ignoraram o ataque e passaram a boicotá-lo.

– Esse tipo de comportamento só atrapalha. Afugenta aliados e doadores – resume um deputado do PSB.

Para o governo, Ciro tropeçou em suas próprias pernas. Assessores de Lula dizem que o presidente sempre foi claro com o deputado ao afirmar que desejava uma disputa polarizada entre Dilma e Serra. Em contrapartida, alegam governistas, Ciro jamais teria sido explícito com o presidente sobre suas reais intenções.

Em fevereiro, o PSB de Minas Gerais tentou organizar um evento para lançar a candidatura presidencial do partido. Ciro, contudo, pediu calma e cancelou a agenda no Estado. Outro fator que irritou o governo foi a incoerência do discurso. Para tentar se viabilizar como candidato, Ciro atacou principalmente o PSDB e o PMDB. No Ceará, porém, ele apoia a candidatura ao Senado do tucano Tasso Jereissati e do peemedebista Eunício Oliveira.

Sem o socialista, a eleição pode ser decidida no primeiro turno. Na mais recente pesquisa do Datafolha, a simulação sem Ciro apontou Serra com 42%, mesmo índice dos demais candidatos somados.

– A saída do Ciro torna a eleição muito mais polarizada e pode antecipar o segundo turno. Nossa próxima pesquisa deve mostrar o reflexo desse fato novo na eleição – diz o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

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Comento


 

Os próximos capítulos desta história prometem ter muitas emoções. Pessoalmente não gosto de Ciro Gomes, não votaria nele nem para síndico de meu prédio, justamente pela sua personalidade intempestiva, de agir sem pensar, passando por cima de tudo e todos. Mas confesso que isso é o que mais me anima agora. Ver Ciro se sentido traído, humilhado, pisado, enganado, vilipendiado em praça pública trará à tona o que tem de pior no Ciro.

Sua fúria o fará virar uma metralhadora giratória contra aqueles que lhe pisaram o calo. Propor que ele saia do país, aumentará ainda mais esses efeitos colaterais.

Um comentário:

Brasiliano disse...

Bom dia a todos.
Concordo plenamente e espero que Ciro Dog nao saia do pais e morra politicamente atirando nos petralhas.

Ciro Dog era oposiçao e se juntou a pior corja que jamais existiu, nunca antes na historia desse pais.
Seria bom ve-lo atirar bombas na base petista para destruir os petralhas.