Eugène Delacroix - "A liberdade guiando o povo" - 1830






14 de jan de 2013

O Brasil que se dane

Saiu na Folha, e já foi amplamente divulgado:


"Por Natuza Nery, na Folha:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem demonstrado preocupação com o desempenho do governo Dilma Rousseff e seus reflexos sobre o projeto de poder do PT. Para discutir a situação, marcou uma reunião com a presidente para a segunda quinzena de janeiro. Na avaliação do petista, segundo interlocutores, Dilma precisa “destravar” sua administração, entre outras razões para segurar sua alta popularidade em um ano desafiador como 2013."

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Vejam bem que a grande preocupação de Lula e dos petistas em geral é com "o plano de poder do PT", ou seja, o fato do Brasil estar entrando em uma espiral descendente em sua economia e em todos os indicadores (energia, inflação, reservas, investimento, etc) é um mero detalhe, um simples empecilho que pode atrapalhar os planos do PT.

Esse é o "filho do Brasil" e o "pai dos pobres" dando um recado bem claro: O BRASIL QUE SE DANE.

9 de jan de 2013

O PT foi contra



1985 - O PT é CONTRA a eleição de Tancredo Neves e EXPULSA os deputados que votaram    nele.
1988 - O PT vota CONTRA a Nova Constituição que mudou o rumo do Brasil.
1989 - O PT DEFENDE O NÃO PAGAMENTO da dívida brasileira, o que transformaria o Brasil num CALOTEIRO MUNDIAL.
1993 - Presidente Itamar Franco convoca todos os partidos para um governo de coalizão pelo bem do país. O PT foi CONTRA e não participou.
1994 - O PT vota CONTRA O PLANO REAL e diz que a medida é eleitoreira.
1996 - O PT vota CONTRA a REELEIÇÃO. Hoje defende.
1998 - O PT vota CONTRA a PRIVATIZAÇÃO DA TELEFONIA, medida que hoje nos permite ter acesso a internet e mais de 150 MILHÕES DE LINHAS TELEFÔNICAS.
1999 - O PT vota CONTRA a adoção do CÂMBIO FLUTUANTE.
1999 - O PT vota CONTRA a ADOÇÃO das METAS DE INFLAÇÃO.
2000 - O PT luta FEROZMENTE CONTRA a criação da LEI DA RESPONSABILIDADE FISCAL, que obriga os governantes a gastarem apenas o que arrecadarem, ou seja, o óbvio que não era feito no Brasil.
2001 - O PT vota CONTRA a criação dos PROGRAMAS SOCIAIS no governo FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: Bolsa Escola, Vale Alimentação, Vale Gás, PETI e outras bolsas são classificadas como ESMOLAS ELEITOREIRAS e insuficientes.
Quase toda estrutura sócio-econômica do Brasil foi construída no período listado acima. O PT foi CONTRA TUDO E CONTRA TODOS.(O PT, era oposição e oposição faz essas coisas. Não vê o que estão fazendo agora?)

HOJE ROUBAM TODOS OS AVANÇOS QUE OS OUTROS PARTIDOS PROMOVERAM E POSAM COMO OS ÚNICOS CONSTRUTORES DE UM PAÍS DEMOCRÁTICO. Já que o PT foi contra tudo e contra todos desde a sua fundação, fica uma pergunta para que os leitores respondam:
EM 10 ANOS DE GOVERNO, QUAIS AS REFORMAS QUE O PT PROMOVEU NO BRASIL PARA MUDAR O QUE OS SEUS ANTECESSORES DEIXARAM?
                                                                                                              
REFORMA TRABALHISTA – nada mudou
REFORMA TRIBUTÁRIA – pagamos altos impostos e existem desvios. Os pobres pagam mais.
REFORMA JUDICIÁRIA - muitas leis estão caducando – a Justiça continua morosa.
REFORMA PREVIDENCIÁRIA – os aposentados foram penalizados


O Partido da Incoerência

Pode-se falar o que quiser do PT, mas nunca antes na história deste país existiu um partido como este, absolutamente ímpar.

O PT se diz vítima do regime militar, que teve seus membros perseguidos, presos, torturados e exilados, e que toda essa luta foi em nome da democracia.
Quando o regime militar acabou e o Brasil fez uma nova constituição, apelidada de "Cidadã", o PT foi contra, não assinou a carta magna.

Posteriormente, quando o então presidente Fernando Collor foi pego com a mão na cumbuca, em um esquema de corrupção, onde o fator determinante foi o recebimento de um Fiat Elba, o PT botou os militantes na rua e pediu o impeachment de Collor (mesmo que 15 anos depois, Collor se tornou um dos maiores aliados do PT, assim como Sarney e Maluf).

Depois o PT chega ao poder. O governo é surpreendido no maior caso de corrupção da república. Mas agora  ao invés de impeachment, os petistas falam em golpe, estariam sendo vítimas de um golpe da imprensa e das "elites". Incrível como as perspectivas mudaram.

Quando Genoíno e Dirceu são condenados a cadeia por corrupção  os petistas falam de golpe do STF contra a democracia. Dizem que a história de vida, de luta "a favor da democracia" coloca estes homens acima da Lei. O que fizeram no passado serve de passe-livre para os crimes do futuro. Ou seja, os fins justificam os meios, e os petistas estão sempre acima da Lei (além do Sarney).

Em termos de relações exteriores, os absurdos são ainda maiores. Lula e o PT sempre foram intimamente ligados as principais ditaduras mundiais (Cuba, Líbia, Irã, Venezuela).

Quando o presidente de Honduras sofreu impeachment, dentro das mais corretas regras constitucionais daquele país, o PT bradou "golpe" e deu asilo político a Zelaya na embaixada brasileira (!). O hóspede ficou lá alguns meses, depois foi embora por ter caído no ostracismo, mesmo dentro de seu país.

O mesmo aconteceu no Paraguai, que destituiu seu presidente seguindo rigorosamente as regras constitucionais. Da mesma forma o PT gritou "golpe".

Agora é a vez da Venezuela, que quer manter presidente um homem que ninguém sabe se está vivo, violando as regras constitucionais. Aí o PT vem e diz que está tudo certo na Venezuela, não há nada de errado. O PT não aceita a Constituição Brasileira (tampouco a respeita), mas vive se metendo na constituição dos outros países.

Nestes 10 anos de governo o PT mostrou sua verdadeira cara: incoerente, corrupto ao extremo, anti-democrático, autoritarista, inescrupuloso e amoral (que não possui moral alguma).

O Brasil é hoje refém desta quadrilha, onde o resgate é o pacote de "bolsas-qualquer-coisa", que funciona como uma arma apontada para a cabeço do povo mais humilde: deixe de votar no PT e a arma dispara.

8 de jan de 2013

O Brasil na encruzilhada



Ives Gandra da Silva Martins
(* Ives Gandra da Silva Martins é jurista.)

A economia não é uma ciência ideológica, como quer certa corrente política, nem uma ciência matemática, como pretendem os econometristas. É evidente que a matemática é um bom instrumental auxiliar, não mais que isto, enquanto a ideologia é um excelente complicador. A economia é, fundamentalmente, uma ciência psicossocial, que evolui de acordo com os impulsos dos interesses da sociedade, cabendo ao Estado garantir o desenvolvimento e o equilíbrio social, e não conduzi-la, pois, quando o faz, atrapalha.

Por outro lado, o interesse público, em todos os tempos históricos e períodos geográficos, se confunde, principalmente, com o interesse dos detentores do poder, políticos e burocratas, que, enquistados no aparato do Estado, querem estabilidade e bons proventos, sendo o serviço à sociedade um mero efeito colateral (vide meu Uma breve teoria do poder, Ed. RT).

Por esta razão, o tributo é o maior instrumento de domínio, sendo uma norma de rejeição social, porque todos sabem que o pagam mais para manter os privilégios dos governantes do que para que o Estado preste serviços públicos. A carga tributária é, pois, sempre desmedida, para atender os dois objetivos.

Na superelite nacional, representada pelos governantes, o déficit previdenciário gerado para atender menos de 1 milhão de servidores aposentados foi superior a 50 bilhões de reais, em 2011; enquanto para os cidadãos de segunda categoria — o povo — foi de pouco mais de 40 bilhões, para atender 24 milhões de brasileiros!!!

Numa arrecadação de quase 1 trilhão e quinhentos bilhões de reais (35% do PIB brasileiro), foram destinados à decantada Bolsa Família menos de 20 bilhões de reais! Em torno de 1% de toda a arrecadação!!! O grande eleitor do presidente Lula e da presidente Dilma não custou praticamente nada aos erários da República.

O poder fascina! No Brasil, há 29 partidos políticos. Mesmo consultando os grandes filósofos políticos desde a antiguidade até o presente, não consegui encontrar 29 ideologias políticas diferentes, capazes de criar 29 sistemas políticos autênticos e diversos. Desde Sun Tzu, passando por indianos, pré-socráticos, a trindade áurea da filosofia grega (Sócrates, Platão e Aristóteles), pelos árabes Alfarabi, Avicena e Averróis, e os patrísticos e autores medievais, entre eles Santo Agostinho e Santo Tomás, e entrando por Hobbes, Locke, Montesquieu, Hegel até Proudhon, Marx, Hannah Arendt, Rawls, Lijphart, Schmitt e muitos outros, não encontrei 29 sistemas políticos distintos.

Ora, 29 partidos políticos exigem de qualquer governo a acomodação de aliados, e tal acomodação implica criação de ministérios e encargos burocráticos e tributários para o contribuinte. O Brasil tem muito mais ministérios que os Estados Unidos. Por esta razão, suporta uma carga tributária indecente e uma carga burocrática caótica para tentar sustentar um Estado, em que a presidente Dilma não conseguiu reduzir o peso da administração sobre o sofrido cidadão.

E os detentores do poder, num festival permanente de auto-outorga de benesses, insistem em aumentar seus privilégios, como ocorre neste fim de ano, com a pretendida contratação de mais 10 mil servidores e aumentos em cascata de seus vencimentos. Acresce a este quadro a ideológica postura de que os investidores no Brasil não devem ter lucro, ou devem tê-lo em níveis bem reduzidos. Resultado: México e Colômbia têm recebido investidores que viriam para o Brasil, pois tal preconceito ideológico inexiste nesses países.

A consequência é que, no governo Dilma, jamais os prognósticos deram certo. Têm seus ministros econômicos a notável especialidade de sempre errarem seus prognósticos, o que dá insegurança aos agentes econômicos e desfigura o governo. Os 4,5% de crescimento do PIB para 2011 ficaram torno de 2,5%. Os 4% prometidos para 2012 ficarão ainda pior, ou seja, pouco acima de 1%.

A política energética — em que o governo pretende seja reduzido o preço da energia pelo sacrifício das empresas, e não pela redução de sua esclerosadíssima máquina pública — poderá levar à má qualidade de serviços e desistências de algumas concessionárias de continuarem a prestar serviços. 

A Petrobras, por exemplo, para combater a inflação, provocada, principalmente pela máquina pública, tem seus preços comprimidos. Nem mesmo a baixa de juros está permitindo combater a inflação, com o que terminaremos o ano com baixo PIB e inflação acima da meta.
Finalmente, a opção ideológica pelo alinhamento com governos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina tem feito o Brasil tornar-se o alvo preferencial dos descumprimentos de acordos e tratados por parte desses países, saindo sempre na posição de perdedor.

Muitas vezes tenho sido questionado, em palestras, por que o Brasil, com a dimensão continental que tem, em vez de relacionar-se, em pé de igualdade, com as nações desenvolvidas, prefere relacionar-se com os países de menor desenvolvimento, tornando-se presa fácil de políticas estreitas, nas quais raramente leva a melhor. Tenho sugerido que perguntem à presidente Dilma.

Como a crise europeia não será solucionada em 2013, como os investidores estão se desinteressando pelo país, por força desta aversão dos governantes brasileiros ao lucro, e com os investimentos em consumo, beneficiando, inclusive, a importação, e não a produção e o desenvolvimento de tecnologias próprias, chegamos a uma encruzilhada.

Bom seria se os ministros da área econômica deixassem de fazer previsões sempre equivocadas e que a presidente Dilma procurasse saber por que os outros países estão recebendo investimentos e o Brasil não. Como dizia Roberto Campos, no prefácio de meu livro Desenvolvimento econômico e Segurança Nacional – Teoria do limite crítico, “a melhor forma de evitar a fatalidade é conhecer os fatos”.